
As Principais Teorias do Cinema
Presente
para os estudiosos do cinema. As principais teorias em um
volume só. Este livro é especialmente indicado
para os estudantes de cinema, que podem aprender as teorias
que dominaram o estudo da sétima arte no início
do século 20 de maneira sistemática. Elas estão
divididas em capítulos dentro de três tópicos:
Tradição Formativa, Teoria Realista do Cinema
e Teoria Cinematográfica Francesa Contemporânea
(a obra foi escrita em 1976). Há comparação
entre os pensamentos dos estudiosos, o que facilita entender
porque determinada teoria foi importante em determinado contexto
social.
O primeiro capítulo é de Hugo Munsterberg, que
acreditava que a mente tem suas próprias leis e o cinema
as conhece e foi desenvolvido para trabalhar diretamente sobre
ela. “O cinema é a arte da mente, assim como
a música é a do ouvido e a pintura, a do olho.”
Segundo ele, “o filme não é mero registro
do movimento, mas um registro organizado do modo como a mente
cria uma realidade significativa.”
Já Rudolf Arnheim pensa que "a arte cinematográfica
é um produto da tensão entre a representação
e a distorção. Baseia-se não no uso estético
de algo do mundo, mas no uso estético de algo que nos
dá o mundo”. Os filmes reproduzem fatos visuais
em celulóide exatamente como seriam vistos pela retina,
mas são ilusões criadas porque são feitos
de elementos que escondem e maquiam a realidade, como a montagem,
que não permite a continuidade espaço-temporal
e o enquadramento da câmera.
Para Sergei Eisenstein, cada elemento cinematográfico
(iluminação, interpretação, história)
funciona como uma atração circense, que, em
conjunto, dão choques no espectador de maneira contínua.
A platéia não seria passiva, mas co-criadora
da história. De acordo com ele, a montagem é
o poder criativo do cinema, o principal vital que dá
significado aos planos, e pode ser dividida em cinco métodos:
matemática,intelectual, rítmica, tonal e sobretonal.
Segundo Bela Balázs, a forma lingüística
era um produto natural da oscilação entre tema
e forma técnica. A matéria-prima seria o assunto
fílmico, não necessariamente a realidade. Cada
artista incorporaria seus próprios padrões e
significados humanos a interpretação da realidade.
Ele recomenda adaptações de trabalhos literários
e peças de teatro medíocres, que possuem maior
probabilidade de serem transformados cinematicamente. Exemplos:
A Marca da Maldade, Psicose e Rastros de Ódio.
Em seguida surgiu a Teoria Realista, com a proposta de harmonizar
a humanidade com a realidade por meio do cinema. Os principais
nomes são Siegfried Kracauer e André Bazin,
que influenciou toda a geração de cineastas
da nouvelle vague. Siegfried Kracauer pensa que toda arte
é uma batalha entre forma e conteúdo e que,
no cinema, o conteúdo vencia. Por isso era melhor desenvolver
uma estética material e não formal. O cineasta
deve entender tanto a realidade quanto o seu veículo
de maneira honesta, para que empregue as técnicas apropriadas
a cada assunto.
Para André Bazin, o cinema depende da realidade. “O
cinema atinge sua plenitude sendo a arte do real.” A
matéria-prima do cinema seria feita “para significar”
através de vários modos cinemáticos.
“Significado é o resultado do estilo; a significação,
o resultado da forma. Os dois são determinados pela
quantidade de abstração colocada no filme pelo
cineasta."
Jean Mitry sintetizou as idéias de Bazin e o formalismo
tradicional e foi o primeiro crítico reconhecido da
Universidade de Paris. A imagem cinematográfica não
transcende o mundo que representa. Elas nos atinge diretamente,
mas o mundo sobrevive a qualquer enquadramento. Ele apóia
uma montagem reflexiva, que confronte formas ou corte cenas
para privilegiar a iluminação ou o movimento
de câmera, de modo que o mundo perceptivo criado pela
história seja respeitado.
Christian Metz demoliu as noções de cinema e
linguagem e reconstruiu-as a seu modo, incorporando conceitos
lingüísticos ligados a Teoria Geral da comunicação.
Enquanto para Amédée Ayfre e Henri Agel, o público
deve se colocar a disposição do cinema, como
se coloca diante da natureza. A semiótica, como teoria
e método analíticos, apoiaria um cinema que
analisa o mundo, enquanto a fenomenologia, linha seguida por
eles, oferece uma poética que valoriza os grandes filmes
sobre a vida, a unidade, o acordo e a síntese. “O
cinema, longe de ser um frio registro do mundo, é um
registro daquela relação simbiótica entre
intenção e resistência, entre autor e
material, mente e assunto.”
Serviço: As Principais Teorias do Cinema
Autor:J. Dudley Andrew
Ano de Lançamento: 1989
Editora: Jorge Zahar Editor Ltda.
272 páginas
Preço médio:R$ 38,00 |
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